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Semana 12 · Aula 12 de 14

Algoritmos de roteamento

Como os pacotes encontram o caminho: roteamento estático e dinâmico, vetor de distância e estado de enlace.

📚 Redes e Sistemas Distribuídos📝 mini-quiz ao final
Objetivos da aula

O que você vai aprender

1

Distinguir roteamento estático de dinâmico.

2

Explicar o algoritmo de vetor de distância.

3

Explicar o algoritmo de estado de enlace e comparar os dois.

1 · Motivação

Como o pacote acha o caminho?

Entre você e um servidor do outro lado do mundo há dezenas de roteadores. Nenhum deles conhece o caminho inteiro — cada um decide apenas o próximo salto. Como, então, o pacote sempre chega?

A resposta está nos algoritmos de roteamento, que constroem e atualizam as tabelas que guiam cada pacote.

💡
Roteamento é uma decisão distribuída: a "inteligência" do caminho emerge da cooperação de muitos roteadores, cada um com visão parcial.
2 · Mapa

O caminho desta aula

Estático × dinâmicoVetor de distânciaEstado de enlaceComparação
  • Como as rotas são definidas.
  • Vetor de distância (RIP) e Bellman-Ford.
  • Estado de enlace (OSPF) e Dijkstra.
  • Quando usar cada um.
3 · Conceito

O que é roteamento

Roteamento. Processo de decidir por qual caminho (sequência de saltos) um pacote deve viajar entre a rede de origem e a de destino, registrado na tabela de roteamento de cada roteador.

A tabela de roteamento associa cada destino a um próximo salto e a um custo. A questão é: quem preenche essa tabela?

4 · Explicação

Estático × dinâmico

EstáticoDinâmico
Definição das rotasManual, pelo administradorAutomática, por protocolo
Adaptação a falhasNenhuma (manual)Recalcula sozinho
UsoRedes pequenas/estáveisRedes grandes/dinâmicas
💡
No roteamento dinâmico, os roteadores trocam informações e atualizam suas tabelas sozinhos, adaptando-se quando um enlace cai ou surge um caminho novo.
5 · Exemplo

Uma rota estática

# rota estatica (sintaxe estilo Cisco) ip route 192.168.2.0 255.255.255.0 10.0.0.2 # destino 192.168.2.0/24 via proximo salto 10.0.0.2 # rota padrao (default): tudo que nao casar vai por aqui ip route 0.0.0.0 0.0.0.0 10.0.0.1
💡
A rota padrão (default route) é o "se não souber para onde ir, mande por aqui" — essencial para a saída à Internet.
6 · Interativo

Passo a passo: vetor de distância

Passo 1
Cada roteador conhece, de início, só as redes diretamente conectadas (custo 0/1).
Passo 2
Periodicamente, envia sua tabela inteira aos vizinhos.
Passo 3
Ao receber a tabela do vizinho, soma o custo do enlace até ele.
Passo 4
Se achar um caminho mais barato para um destino, atualiza sua tabela.
Passo 5
Após várias trocas, todas as tabelas convergem para os melhores custos.
7 · Vetor

Vetor de distância

Vetor de distância. Cada roteador mantém, para cada destino, o custo e o próximo salto, e atualiza sua tabela com base nas tabelas recebidas dos vizinhos (algoritmo de Bellman-Ford). Ex.: RIP.

A visão de cada roteador é parcial: ele só sabe o que os vizinhos dizem, sem conhecer a topologia inteira.

8 · Explicação

O problema da contagem ao infinito

Como cada roteador confia no que o vizinho diz, uma informação ruim pode se propagar como um "boato":

⚠️
Se um enlace cai, dois roteadores podem ficar trocando rotas que apontam um para o outro, somando custos pouco a pouco — a contagem ao infinito. Técnicas como split horizon e poison reverse amenizam isso.
9 · Analogia

O boato × o mapa

🗺️ Analogia
Vetor de distância é como pedir direções de boca em boca: cada pessoa só repassa o que ouviu do vizinho, e um erro vira boato que demora a sumir. Estado de enlace é como cada um ter o mapa completo da cidade e calcular a melhor rota sozinho — sem depender de boatos.
10 · Comparação

Vetor de distância × estado de enlace

Vetor de distânciaEstado de enlace
O que compartilhaSua tabela com vizinhosEstado dos enlaces com todos
Visão da redeParcial (só vizinhos)Completa (mapa)
AlgoritmoBellman-FordDijkstra
ConvergênciaMais lentaMais rápida
ExemploRIPOSPF
11 · Fluxo

Estado de enlace em ação

Descobre vizinhosAnuncia enlaces
a todos
Monta o mapaRoda DijkstraTabela de rotas
12 · Aprofundamento

Estado de enlace e Dijkstra

Estado de enlace. Cada roteador divulga o estado de seus enlaces a todos os roteadores (flooding), monta um mapa completo da rede e roda o algoritmo de Dijkstra para achar os menores caminhos. Ex.: OSPF.

Como cada roteador tem o mapa inteiro, ele calcula as rotas localmente e converge rápido após uma mudança — não depende de boatos propagados salto a salto.

13 · Interativo

Verifique seu entendimento

Qual protocolo usa o algoritmo de Dijkstra sobre um mapa completo da rede?

OSPF é estado de enlace: cada roteador monta o mapa completo e roda Dijkstra. RIP é vetor de distância (Bellman-Ford).
14 · Caso real

Por que a Internet usa BGP

RIP e OSPF roteiam dentro de uma organização (protocolos internos). Para conectar as milhares de redes autônomas que formam a Internet, usa-se o BGP.

  • O BGP é um protocolo de roteamento entre sistemas autônomos.
  • É um vetor de caminho (path vector): anuncia o caminho completo de redes, não só o custo.
  • Decisões consideram políticas (acordos comerciais), não apenas o menor custo.
💡
O roteamento real da Internet combina protocolos internos (OSPF/RIP) com o externo (BGP) — hierarquia que torna possível escalar a rede mundial.
15 · Erros comuns

Confusões frequentes

⚠️
Trocar os algoritmos: vetor de distância usa Bellman-Ford (RIP); estado de enlace usa Dijkstra (OSPF). Não inverta.
⚠️
Achar que vetor de distância "vê" a topologia inteira. Não vê: sua visão é parcial, só pelos vizinhos.
16 · Dicas

Para fixar e escolher

Memorize os pares: RIP → vetor de distância → Bellman-Ford → vizinhos; OSPF → estado de enlace → Dijkstra → mapa completo.
Para redes pequenas e estáveis, rota estática basta. Conforme a rede cresce e muda, o dinâmico (OSPF) compensa o esforço.
17 · Interativo

Revele a resposta

Por que o estado de enlace converge mais rápido que o vetor de distância?
Porque cada roteador tem o mapa completo da rede e calcula as rotas localmente com Dijkstra. Quando algo muda, a informação é inundada (flooding) para todos quase de imediato, e cada um recalcula sozinho. No vetor de distância, a mudança precisa se propagar salto a salto entre vizinhos, o que é mais lento e sujeito à contagem ao infinito.
18 · Flashcards

Fixe os conceitos

Roteamento estáticovirar
Rotas definidas manualmente; não se adaptam a falhas.
Vetor de distânciavirar
Troca tabelas com vizinhos; Bellman-Ford; visão parcial. Ex.: RIP.
Estado de enlacevirar
Anuncia enlaces a todos; mapa completo; Dijkstra. Ex.: OSPF.
Contagem ao infinitovirar
Problema do vetor de distância: rotas ruins propagam-se lentamente como boato.
19 · Conexões

Onde isso se liga

  • Equipamentos (aula 3): o roteador é quem executa esses algoritmos.
  • OSI/TCP-IP (aula 4): roteamento é a camada de rede (3) em ação.
  • Sistemas distribuídos (aula 8): roteamento dinâmico é um algoritmo distribuído, com falhas parciais e convergência.
20 · Síntese

O essencial em uma frase

🔑
Roteamento estático é manual; o dinâmico aprende sozinho — vetor de distância (RIP, Bellman-Ford, visão dos vizinhos) ou estado de enlace (OSPF, Dijkstra, mapa completo), este convergindo mais rápido.
Mão na massa · colaborativo

Atividade em grupo · Calculando rotas

Em trios, encontrem os melhores caminhos em uma pequena topologia.

⏱️ 30 min👥 trios🧩 exercício

Roteiro

  1. Recebam uma topologia com 4–5 roteadores e custos nos enlaces.
  2. Calculem, à mão, a menor rota de A até todos os outros (estilo Dijkstra).
  3. Simulem como o vetor de distância chegaria ao mesmo resultado trocando tabelas.
  4. Discutam o que muda quando um enlace cai.
Cartógrafodesenha a topologia e os custos
Calculistaroda Dijkstra à mão
Simuladortroca os vetores de distância
📤 Entrega: Tabela de rotas mais curtas de A + comparação dos dois métodos.
Teste seu conhecimento

Mini-quiz · Aula 12

20 questões sobre esta aula. Escolha e veja a explicação na hora.

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📌 Resumo — leve isto para a prova

  • Roteamento estático é manual; o dinâmico aprende e atualiza rotas automaticamente.
  • Vetor de distância (RIP): troca tabelas com vizinhos, usa Bellman-Ford, visão parcial.
  • Estado de enlace (OSPF): anuncia enlaces a todos, monta o mapa e usa Dijkstra.
  • O estado de enlace converge mais rápido; o vetor de distância sofre com a contagem ao infinito.
  • Na Internet, OSPF/RIP roteiam dentro do AS e o BGP (path vector) roteia entre ASes.