O que você vai aprender
Identificar a função de hubs, switches, roteadores e access points.
Relacionar cada equipamento à camada do modelo de rede em que atua.
Explicar a diferença entre domínio de colisão e domínio de broadcast.
Decidir qual equipamento usar em cada situação de projeto.
Quem organiza o tráfego?
Já sabemos ligar nós por cabos e por ar. Mas, com dezenas de máquinas, é preciso organizar quem fala com quem sem que todos atrapalhem todos. É esse o papel dos equipamentos de rede.
Trocar um hub por um switch pode transformar uma rede lenta e cheia de colisões numa rede fluida — entender a diferença vale ouro no dia a dia.
Roteiro de hoje
física→Switch
enlace→Roteador
rede→Access Point
sem fio
Veremos cada equipamento, a camada em que atua e como cada um trata colisões e broadcasts — o critério-chave para diferenciá-los.
O hub
O hub é "burro" no bom sentido didático: ele não entende endereços, apenas amplifica e repete o sinal para todo mundo.
Por que o hub gera colisões
Como o hub repete tudo para todas as portas, se dois hosts transmitem ao mesmo tempo os sinais se sobrepõem e ocorre uma colisão. Todas as portas formam um único domínio de colisão.
Equipamentos × camada × decisão
| Equipamento | Camada | Decisão por |
|---|---|---|
| Hub | Física (1) | Nada — repete tudo |
| Switch | Enlace (2) | Endereço MAC |
| Roteador | Rede (3) | Endereço IP |
| Access Point | Enlace (2) | Ponte cabeada↔sem fio |
Passo a passo: como o switch aprende
Switch e roteador
Domínio de colisão × domínio de broadcast
Dois conceitos distinguem os equipamentos:
- Domínio de colisão: conjunto de dispositivos que disputam o mesmo meio e podem colidir. O hub coloca todos num só; o switch dá um por porta.
- Domínio de broadcast: conjunto de dispositivos que recebem um quadro de broadcast. Switches mantêm um só; o roteador separa em vários.
Provando que o switch decide por MAC
O switch monta sua tabela observando quem fala. Do lado do computador, a tabela ARP mostra o outro lado da moeda — a associação entre IP e MAC:
Repare no último: o endereço físico só de "F" é o broadcast de camada 2. Um quadro endereçado a ele é entregue a todos — e é exatamente esse quadro que o roteador se recusa a repassar adiante.
Hub, switch e roteador no escritório
Switch × roteador
| Aspecto | Switch | Roteador |
|---|---|---|
| Camada | Enlace (2) | Rede (3) |
| Decide por | Endereço MAC | Endereço IP |
| Atua | Dentro de uma rede/sub-rede | Entre redes/sub-redes |
| Domínio de broadcast | Mantém um só | Separa em vários |
| Tabela | MAC × porta | Rotas (IP × próximo salto) |
O caminho de um quadro
Dentro da mesma rede, o switch resolve; para sair para outra rede, entra o roteador:
por MAC→Roteador
por IP→Outra rede
Envie um quadro e veja quem recebe
A bancada abaixo tem seis abas, e cada uma responde a uma pergunta desta aula.
1 · Quem recebe. Envie um quadro de PC1 para PC3 no hub e repare em quantas máquinas recebem o quadro no fio e em quantas realmente o processam. Depois repita no switch: na primeira vez ele inunda todas as portas porque ainda não conhece o destino; clique em deixar o PC3 responder e veja a tabela crescer — é sempre pela origem que ele aprende, nunca pelo destino. Por fim escolha BROADCAST nos três equipamentos: só um deles barra o quadro, e essa diferença é a definição de domínio de broadcast.
2 · No fio. Aqui a colisão acontece de verdade: as duas fitas recebem o mesmo sorteio de quem quis falar, e a única diferença é a caixa no meio. Aumente o número de estações e veja o hub piorar enquanto o switch cresce.
3 a 6. O switch por dentro (tabela MAC, envelhecimento e VLAN), a fronteira do roteador (o que muda de um enlace para o outro), o access point (por que o Wi-Fi é um hub) e oito casos para diagnosticar.
As siglas que aparecem na bancada
A bancada acima fala a língua técnica da área, e boa parte dela é sigla. Este quadro é para consulta: cada uma vem por extenso, com o que significa e — o que mais importa — onde ela está acontecendo na tela.
Acesso ao meio
| Sigla | O que é | Onde você vê |
|---|---|---|
CSMACarrier Sense Multiple Access · acesso múltiplo com detecção de portadora | Escutar o meio antes de transmitir. É a base comum dos dois esquemas abaixo. | Abas no fio e no ar: as células cinza são estações que tinham o que enviar e encontraram o meio ocupado. |
CSCarrier Sense · detecção de portadora | O ato de "ouvir" se há sinal no meio. | É a decisão que produz cada célula cinza. |
MAMultiple Access · acesso múltiplo | Várias estações compartilhando o mesmo meio. | As 2 a 8 estações dividindo a mesma fita. |
CSMA/CD…with Collision Detection · com detecção de colisão | Ethernet half-duplex clássica: deixa colidir, detecta durante a transmissão e aborta rápido. | Aba no fio: a célula vermelha é a colisão detectada na hora (uma fenda perdida) e as laranjas são o recuo exponencial que vem depois. |
CSMA/CA…with Collision Avoidance · com prevenção de colisão | Wi-Fi (802.11): como não consegue detectar, gasta tempo evitando a colisão e exige confirmação. | Aba no ar: compare o tamanho das manchas vermelhas com as da aba no fio — aqui a colisão custa o quadro inteiro, não uma fenda. |
Reserva do meio e confirmação (Wi-Fi)
| Sigla | O que é | Onde você vê |
|---|---|---|
RTSRequest to Send · requisição para enviar | Quadro curto que pede o meio e anuncia por quanto tempo vai precisar dele. | Aba no ar, com a caixa RTS/CTS marcada: as células roxas são a reserva. |
CTSClear to Send · liberado para enviar | Resposta de quem vai receber (no modo infraestrutura, o AP), autorizando e repetindo a duração anunciada. | É o que faz o grupo escondido também esperar: ele não ouve o transmissor, mas ouve o AP. |
NAVNetwork Allocation Vector · vetor de alocação de rede | Cronômetro interno de cada estação com o tempo já reservado por outra. Funciona como uma detecção de portadora virtual. | Com a reserva ligada, são as células cinza dos clientes que ficam parados sem ouvir ninguém transmitindo. |
ACKAcknowledgement · confirmação | Quadro de confirmação obrigatório para cada unicast no 802.11. Sua ausência é, para quem transmitiu, o único indício de que houve colisão. | Não é desenhado, mas é o que a métrica quadros perdidos conta: quem não recebeu ACK dá o quadro por perdido e recomeça. |
IFSInterframe Space · espaço entre quadros | Intervalos de espera obrigatórios depois que o meio libera. As variantes definem prioridade. | Conceito — veja a ressalva abaixo. |
SIFSShort IFS · IFS curto | O menor intervalo, usado por ACK e CTS: é por isso que as confirmações "furam a fila". | Conceito — veja a ressalva abaixo. |
DIFSDCF IFS | O intervalo padrão que uma transmissão de dados comum precisa esperar. | Conceito — veja a ressalva abaixo. |
DCFDistributed Coordination Function · função de coordenação distribuída | O modo de acesso padrão do 802.11: CSMA/CA + recuo + NAV, sem nenhum árbitro central. | É o conjunto do que a aba no ar simula. |
Equipamentos, endereços e o resto do vocabulário
| Sigla | O que é | Onde você vê |
|---|---|---|
APAccess Point · ponto de acesso | A caixa central da rede Wi-Fi em modo infraestrutura. É ponte de camada 2, não roteador. | Aba no ar: o quadro atravessa o AP e chega ao PC cabeado sem o IP mudar e sem o TTL cair. |
MACMedia Access Control · controle de acesso ao meio | Duas coisas com o mesmo nome: a subcamada da camada 2 e o endereço físico de 48 bits gravado na placa. | Aba switch por dentro: a tabela MAC × porta. E a aba dentro do MAC abre o endereço byte a byte. |
NICNetwork Interface Card · placa de interface de rede | A placa de rede. É ela que compara o MAC de destino com o próprio e descarta o que não lhe pertence. | Aba quem recebe: as máquinas em âmbar, marcadas "recebe e descarta". |
ARPAddress Resolution Protocol · protocolo de resolução de endereços | Descobre o MAC correspondente a um IP dentro do mesmo enlace — e só dentro dele. | Aba a fronteira, botão de ARP: quem está fora da sua rede não é perguntado; pergunta-se pelo gateway. |
TTLTime To Live · tempo de vida | Contador no cabeçalho IP que cai a cada roteador. Chegando a zero, o pacote é descartado — é o que impede um pacote de circular para sempre. | Aba a fronteira: 64 no primeiro enlace, 63 no segundo. |
VLANVirtual LAN · rede local virtual | Corte lógico dentro do switch: transforma um equipamento em vários domínios de broadcast independentes. | Aba switch por dentro, caixa VLANs ligadas: o broadcast para de atravessar e as duas VLANs deixam de se falar. |
OUIOrganizationally Unique Identifier · identificador único organizacional | Os 3 primeiros bytes do MAC: o bloco que o fabricante comprou do IEEE. Os 3 últimos são o número de série que ele mesmo atribui — juntos, garantem um endereço único no mundo. | Aba dentro do MAC: é a metade azul do endereço. |
I/GIndividual/Group · individual ou grupo | Último bit do primeiro byte: 0 endereça uma placa (unicast), 1 endereça um conjunto (multicast). O broadcast é o caso extremo, com todos os bits em 1. | Aba dentro do MAC: clique no bit e veja a classificação mudar na hora. |
U/LUniversal/Local · universal ou localmente administrado | Penúltimo bit do primeiro byte: 0 = veio de fábrica, com OUI do IEEE; 1 = foi escrito por software. É o bit que o celular liga ao aleatorizar o MAC por privacidade. | Aba dentro do MAC: ligue o bit e o fabricante simplesmente deixa de existir. |
IEEEInstitute of Electrical and Electronics Engineers | A entidade que mantém os padrões da família 802 (Ethernet, Wi-Fi) e o registro público de quem é dono de cada OUI. | É de onde vieram os nomes de fabricante que a bancada mostra — com data de consulta declarada. |
RS-232 (Recommended Standard 232), usados para controle de fluxo por hardware: um fio dizia "quero enviar", outro respondia "pode mandar". O 802.11 aposentou os fios e manteve os nomes — agora são quadros no ar cumprindo exatamente o mesmo papel.Access point e a ponte sem fio
O access point (AP) conecta dispositivos sem fio à rede cabeada. Ele atua como ponte na camada de enlace: recebe quadros do Wi-Fi e os entrega à LAN cabeada (e vice-versa).
- O AP não roteia entre redes — isso é papel do roteador.
- Muitos "roteadores domésticos" são, na verdade, roteador + switch + AP em uma só caixa.
Verifique você mesmo: quem usa qual endereço?
Um quadro precisa ser entregue a um host na MESMA sub-rede. Qual equipamento decide o encaminhamento e por qual endereço?
Modernizando um laboratório
Um laboratório antigo com 20 PCs ligados a hubs vivia lento. O diagnóstico: todos no mesmo domínio de colisão, colisões constantes.
- Ação: substituir os hubs por um switch.
- Resultado: cada PC ganhou seu domínio de colisão; as colisões praticamente desapareceram.
- Próximo passo: adicionar um roteador para separar o laboratório do resto do prédio em domínios de broadcast distintos, reduzindo tráfego desnecessário.
Confusões frequentes
Recomendações de projeto
Revele a resposta
Por que reduzir o tamanho dos domínios de broadcast melhora a rede?
Revisão relâmpago
Equipamentos e as camadas
Cada equipamento já antecipa as camadas do modelo OSI/TCP-IP (Aula 4):
- Hub → camada física (bits).
- Switch e AP → camada de enlace (quadros, MAC).
- Roteador → camada de rede (pacotes, IP).
O essencial da aula
Atividade em grupo · Montando uma topologia
Em trios, projetem a interconexão de uma pequena empresa com dois andares.
Roteiro
- Cada andar tem 10 PCs cabeados e precisa de Wi-Fi para visitantes.
- Escolham quantos e quais equipamentos usar (switch, roteador, AP).
- Desenhem o diagrama mostrando como os andares se ligam e acessam a Internet.
- Indiquem onde ficam os domínios de colisão e de broadcast.
Mini-quiz · Aula 3
20 questões sobre esta aula. Escolha e veja a explicação na hora.
📌 Resumo — leve isto para a prova
- Hub: camada física, repete para todas as portas (um só domínio de colisão).
- Switch: camada de enlace, encaminha por MAC; cada porta é um domínio de colisão.
- Roteador: camada de rede, roteia entre redes por IP e separa broadcast.
- Access point: ponte entre o mundo cabeado e o sem fio, na camada de enlace.
- Trocar hub por switch é um upgrade barato e de grande impacto; VLANs e roteadores segmentam broadcast.